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Ganso vence Bétis e fará mais um jogo longe da torcida

16 de agosto de 2018 – 16:16 |

O time profissional do Araxá Esporte Clube, voltou à campo, na tarde da última quarta-feira, dia 15 de agosto ( feriado), para enfrentar o time do Bétis, pela terceira rodada da primeira fase do Campeonato …

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TAMANDUÁ-BANDEIRA – Mymercophaga tridactyla

        

Por: Lobo Junior;

A Ordem Pilosa (do Latim “com pelos” compreende preguiças e tamanduás. Estes últimos estão posicionados na subordem Vermilingua por possuirem suas línguas em forma de verme, podendo medir até 60cm no caso do Tamanduá-bandeira (Mymercophaga tridactyla – “comedor de  formigas 3 dedos”) Este orgão também é viscoso, devido a saliva e cheio de filamentos papilosos usados na captura de cupins e formigas, algo em torno de 30.000 por dia.

Sendo tão especialista assim no tocante a parca gama de alimentos, como esse Edentado (sem dentes) pode sobreviver em meio a fragmentação de seu território e outros obstáculos? Na verdade, não pode. A população do Tamanduá-bandeira vem decrescendo drasticamente  ao longo dos anos a ponto de já ser considerado extinto em alguns países da America-Central e mais ao sul, nos pampas uruguaios. Este é o alerta feito pela organização IUCN – União Internacional para a Conservação da Natureza), importante orgão que estima em apenas 5.000 espécimes vivendo livremente. Por essa razão seu status é de espécie VULNERÁVEL da lista vermelha da dita instituição, ou melhor traduzindo: “De elevado risco de desaparecer na natureza). Queimadas em canaviais,  caça, atropelamentos em rodovias são os fatores que reduziram em cerca de 30% seu número em sua zona de povoamento, isso em pouco mais de uma década, alarmante. Com a quebra dessas áreas, leia-se estradas, desmatamento, loteamentos, etc, surge a ENDOGAMIA, processo pelo qual indivíduos aparentados acasalam, devido a falta de parceiros, ou por estarem restritos a pequenas faixas de terra. Ao adotar tal saída há o aumento de nati-mortos, perda da variedade genética, suscetibilidade à defeitos congênicos, infertilidade e espécimes de menor porte, ou seja EXTINÇÃO de um animalzinho tímido e simpático.

Não que não faltem predadores naturais para dar um empurrãozinho, mas isso sempre existiu. Onças-pintadas e Suçuaranas consideram o Tamanduá-bandeira um prato e tanto. Afinal são entre 40 a 60 quilos de carne mas, ao menos destes nosso amigo pode-se defender e sua arma secreta é feita de queratina… isto mesmo: GARRAS. Com estimados 10cm, são naturalmente usadas para destroçar duros cupinzeiros para facilitar sua “caça”, introduzindo cabeça e língua por entre frestas dessa fortaleza argilosa. Contudo são também utilizadas em sua defesa. Ao sentir-se encurralado, ergue-se por sobre as patas traseiras e abre suas dianteiras expondo as eficazes unhas. Seria cômico se não fosse trágico o momento para o bicho, afinal ver aquela carinha “amável” esperando o predador, fica evidente a expressão “ABRAÇO DE TAMANDUÁ”se aplicar a hipocrisia contida num abraço humano, porém sem a mesma conotação. Ainda assim há relatos de felinos e tamanduás encontrados num abraço que terminou em empate mortal, bem como dois casos (2010/2012) envolvendo humanos que sucumbiram frente as poderosas garras de, com certeza, animais assustados. Em sua defesa, mesmo sem uma descrição completa dos pormenores envolvendo essas mortes que; Tamanduás-bandeira, ante ao confronto preferem fugir; têm uma péssima visão; não são tão ágeis – vide estrutura de sua coluna – e fêmeas com filhote não exitarão em ultrapassar a tênue linha que separa AMEAÇA ou mera CURIOSIDADE (essa é para tratadores, biólogos, fotógrafos, cinegrafistas, turistas etc).

A luz no fim do túnel para tirar nosso “comedor de formiga” desta lista vermelha são os projetos ambientais, alguns existentes desde a década de 80, que visam reprodução e possível adaptação ou re-adaptação (em casos de acolhimento) e soltura, se possível. Em tempos, em cativeiro sabe-se que além dos mencionados insetos, aceitam frutas como abacate, na forma de papa e até cítricas.

Mas a parte mais importante cabe a nós que praticamente coabitamos e dividimos o Cerrado com esta bizarra criatura que nada mais é do que inofensiva e que fascina aqueles que já tiveram o prazer de ter contato com um animal de extraordinárias peculiaridades. Somos responsáveis por cada ato que justifica o termo PROGRESSO em detrimento ao inevitávil avançar de máquinas ávidas em derrubar árvores, mato e assim expôr nosso marcante porém indefeso exemplar.