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FestNatal resgata e destaca tradição das Folias de Reis

18 de dezembro de 2018 – 11:53 |

Uma tradição que está na alma do mineiro. Símbolos da chegada do período natalino e recentemente reconhecidas como Patrimônio Imaterial do Estado, as Folias de Reis ganharam espaço este ano no maior Festival Natalino de …

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LÁ NO RIO TELES PIRES

Sempre planejamos nossas andanças por este nosso Brasil, mas as que mais gostamos é no norte, principalmente na bacia amazônica. São os rios mais piscosos e também, nos proporcionam momentos mais emocionantes, por ali morarem a maior e mais variada fauna. Lembro principalmente daquela pescaria  no rio Teles Pires, xiii o trem foi feio. Chegamos ainda cedinho, sete da matina, naquela linda praia,  logo em seguida, começamos a montagem das barracas, que apesar do cansaço da viagem, ainda sobrara muita disposição. Era um lugar muito bonito, o rio fazia uma grande curva que em seguida, uma corredeira que fazia as águas descansarem ali pertinho das barracas, no que parecia um monstruoso tanque. Uma linda mata, com arvores que pareciam milenares de madeiras de lei, como angico, cedro, mogno e muitas outras. Armamos as barracas no fim da mata, aproveitando uma parte de praia, que adentrava em um bom pedaço de mata. Ali estávamos protegidos do sereno da madrugada e também, do forte sol do dia, que o calor chega a mais de quarenta graus. Enquanto Benedito preparava o bagua, papeávamos e já bebericávamos, pois nunca gostamos de pescar no primeiro dia. Já visitantes vinham chegando de mansinho, o folgado tatu, o lagarto verde e no rio já ouvia as ariranhas que davam lindos mergulhos, que em cada deles, apareciam com um peixe na boca. Fomos deitar muito cedo, estávamos cansados da viagem e também, das arrumações, inclusive armação das barracas e preparativos do lugar. Cinco da matina, Benedito já batia as panelas, avisando que o engasga lobo estava pronto. Era um reforçado tira jejum, que pouco depois ali pertinho das barracas mesmo, já começávamos a dar as gostosas fisgadas, pegando lindos exemplares de cacharas, pirararas e até um jaú. Somente parávamos de pescar, para o almoço e voltávamos ao trabalho, ás quinze horas indo até as vinte horas. Durante nossa estada ali, pescávamos somente naqueles lugares perto das barracas, no grande tanque e também nas corredeiras. Nas manhãs, as saracuras faziam a alvorada, eram nossos despertadores, porem nas madrugadas era os canguçus, (onças pretas e pintadas) que na mata, esturravam a madrugada inteira, dando a impressão que estavam machiando. Como foram gostosos, aqueles dias, ótimas pescarias, inesquecíveis as engraçadas piadas, contadas nas tardinhas quando reuníamos para bebericarmos antes do jantar, alem de causos emocionantes, contados por nosso guia, Zé Goiaba, casos de onças e porcos selvagens. Em uma tarde, que Benedito procurava lenha, para fazermos um churrasco, foi entrando na mata distraidamente, não percebendo que estava sendo seguido. Quando deu de cara com uma grande onça pintada, que ficava sempre perto das barracas catando ossos e restos de comida. Foi um susto enorme, mas a mocinha parecia conhecê-lo, ela, ficou ali parada observando ele catar sua lenha, depois o seguiu ate perto das barracas. Esta onça era vista todas as tarde naquele lugar, também durante a noite em volta das barracas, onde ouvíamos seus mastigar, comendo ossos. Foram dias maravilhosos, aqueles que até hoje lembro, com muita saudade….

                  LÁ NO RIO TELES PIRES…

francelinocardosojr@hotmail.com