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24 de setembro de 2018 – 19:49 |

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“Clássicos da nossa literatura e da nossa cultura” Parte II

Francisco José Géa

 “Algumas personagens do folclore brasileiro” (Somente as principais)

 Boitatá: Era a cobra de fogo, nome que os indígenas davam ao fenômeno conhecido do fogo-fatuo, onde eles acreditavam que a pessoa transformava-se naquele fenômeno quando ela praticava o crime do incesto.

Boto: Animal muito comum na Amazonia, que se transforma num bonito rapaz, o qual seduz e engravida as moças, depois ele volta a ser novamente um peixe.

Iara: É a senhora das águas, a divindade do rio que atrai os homens com o seu canto, para depois afoga-los.

Cuca: Mito de origem portuguesa, a sua figura é de uma velha muito feia que surge para roubar crianças desobedientes.

Lobisomem: Figura da tradição europeia, em que um homem, em noites de lua cheia se transforma em lobo. Contavam os antigos que virava lobisomem, a criança que fosse o sétimo filho de um casal ou se a criança nascesse na sexta-feira da paixão.

Mula-sem-cabeça: Segundo a tradição ou lenda, virava mula-sem-cabeça , aquelas mulheres que mantiveram relações sexuais com padres.

Saci ou Saci-Pererê: Trata-se da figura de um menino negrinho, com uma perna só, usando uma carapuça vermelha, com um cachimbo na boca, que se divertia assustando as pessoas, com seu aterrorizante assobio.

“Vou-me embora pra pasárgada”

(É o mais famoso poema de Manoel Bandeira-escrito em 1930)

 Vou embora pra Pasargada

Lá sou amigo do Rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou embora pra Pasargada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura de tal modo inconsequente,

Que Joana, a louca de Espanha, a rainha e falsa demente

Venha a ser contra-parente da nora que nunca tive,

E como farei ginastica, andarei de bicicleta,

Montarei em burro bravo, subirei no pau de sebo,

Tomarei banhos de mar,

E quando estiver cansado, deito na beira do rio,

Mando chamar a “mãe-d’agua”,

Pra me contar as historias, que no tempo de eu menino,

Rosa vinha me contar.

Vou me embora pra Pasargada,

Em Pasargada tem tudo,

E outra civilização.

Tem um processo seguro de impedir a concepção,

Tem telefone automático, tem alcaloide a vontade,

Tem prostitutas bonitas, pra gente namorar.

E quando eu estiver mais triste, mais triste quando de não ter jeito,

Quando de noite, me der vontade de matar.

Lá sou amigo do Rei, terei a mulher que eu quero, na cama que escolherei.

Vou me embora pra Pasargada.”

José”

(De autoria de Carlos Drummond de Andrade)

E agora José?

A festa acabou

A luz apagou

O povo sumiu

A noite esfriou

E agora José?

E agora você?

Você que é sem nome

Que zomba dos outros,

Você que faz versos,

Que ama e protesta.

E agora José?

Está sem mulher,

Está sem carinho,

Está sem discurso.

Já não pode beber,

Já não pode fumar,

Cuspir já não pode,

A noite esfriou,

O dia não veio

O bonde não veio,

O riso não veio,

Não veio a utopia

R tudo acabou

E tudo fugiu

E tudo mofou.

E agora José?

Sua doce palavra,

Seu instante de febre,

Sua vida em jejum,

Sua biblioteca,

Sua lavra de ouro,

Seu terno de vidro,

Sua incoerência, seu ódio e agora?

Com chave na mão, quer abrir a porta,

Não existe porta.

Quer morrer no mar,

Mas o mar secou.

Quer ir para Minas, Minas não há mais, José

E agora?

Se você quisesse,

Se você gemesse,

Se você tocasse a valsa vienense,

Se você dormisse,

Se você cansasse,

Se você morresse,

Mas você não morre.

Você é duro, José.

Sozinho no escuro,

Tal bicho do mato,

Sem ter agonia,

Sem parede nua,

Pra se encostar,

Sem cavalo preto,

Que fuja a galope,

Você marcha, José,

Para onde? Marcha José.

Para onde?

Marcha José

José, para onde?

E agora José?

E agora José?

Para onde

E agora José?

FIM

Francisco José Géa