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2 de março de 2021 – 13:58 |

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Coluna do Professor Luciano Marcos Curi

Como escolher seu curso de Ensino Médio?

Quem já passou pela escola, e aqueles que estão estudando, já sabem. Depois do Ensino Fundamental (antigo 1º Grau) e antes da Faculdade (Universidade ou Ensino Superior) tem um curso chamado Ensino Médio (antigo 2º Grau). Desse modo podemos dizer que o Ensino Médio é uma etapa escolar estratégica (entre o Fundamental e o Superior) na qual tomamos importantesdecisões pessoais e profissionais. Portanto refletir sobre ele é importante para todos: estudantes, pais e educadores.

O atual Ensino Médio já teve outros nomes ao longo da história brasileira. Já se chamou 2º Grau (1971 a 1996) e Colegial (1550 a 1971). O nome atual de Ensino Médio data de 1996 e é uma exclusividade brasileira. Contudo, foi apenas a partir de 2009 que ele se tornou parte da Escolaridade Básica Obrigatória para todos os brasileiros, inclusive, para aqueles que não pretendem fazer uma Faculdade (ou Ensino Superior).

O Ensino Médio também já mudou de formato e de lugar na Estrutura Educacional Escolar Brasileira. Antes de 1931 ele não era obrigatório no Brasil para o ingresso nas Faculdades da época (ou Academias). Os Colégios e o curso Colegial já existiam, mas não era obrigatória a frequência nestas instituições. Até esta épocahavia um outro caminho que se chamava Exames Parcelados que eram um conjunto de provas ministradas pelas próprias Faculdades. Cada Parcelado dava direito a um certificado de aprovação. Assim que o estudante obtivesse todos os certificadosnecessários poderia se matricular na Faculdade, independentemente de estar cursando, ou não, o Colegial.

Desse modo, assim que aprovado nos Parcelados a maioria dos estudantes abandonava o Colegial. Nesta época não se valorizava a socialização, a convivência social dos adolescentes e jovens para além da famíliano curso Colegial, mas apenas o ingresso no Ensino Superior. Por esse motivo até a década de 1930 existiam poucos colégios no Brasil, inclusive, havia Estados que não possuía tais instituições.

Até 1971, o que hoje chamamos de Ensino Médioera parte de um curso maior chamado Ensino Secundário (duração de sete anos). O Secundário dividia-se em dois ciclos. O primeiro chamava-se Ginasial (atual Ensino Fundamental Anos Finais – 6º ao 9º Ano) e depois o Colegial (atual Ensino Médio). Antes do Secundário existia o Primário (atual Ensino Fundamental Anos Iniciais – 1º ao 5º Ano). Na passagem do Primário para o Secundário existia um temível, e desnecessário, vestibular chamado Exame de Admissão que foi extinto em 1971.

Portanto, até 1971 os estudantes adolescentes imediatamente pré-universitários eram chamados de Secundaristas Colegiais (e não Secundaristas Ginasiais). Essa é a razão pela qual a UBES (União Brasileira de Estudantes Secundaristas – fundada em 1948) conserva até hoje esse nome; ela representava, e até hoje do mesmo modo, os estudantes ginasiais e colegiais.

É importante informar aqui ao leitor que os nomes Ensino Primário e Ensino Secundário são mais conhecidos internacionalmente do que as atuais opções terminológicas brasileiras (Ensino Fundamental e Ensino Médio) eque estas acabam causandocertas confusões e dificuldades de entendimento.

Contudo aqui há um outro ponto importantíssimo a tratar, comentar e explicar. O Ensino Médio possui vários formatos, diferente do que ocorre com o Ensino Fundamental que é o mesmo modelo geral para todos os estudantes. Isso mesmo.Existe uma diversidade interna no Ensino Médio que é fruto de sua história que remonta aos Colégios Medievais e as Escolas Técnicas da época moderna.

Por isso muitos estudiosospreferem utilizar a expressão Nível Médio por que esta contemplamais adequadamente a diversidade interna, as variaçõesexistentes dentro desta etapa escolar. O Nível Médio é, portanto, um compósito de vários tipos de escolarização de origens e épocas diferentes que convergiram ao longo do século XX e formaram uma única etapa escolar. Essa expressão não aparece na lei brasileira, na LDB, por exemplo. Isso, no entanto, não a torna incorreta e nem inoportuna. O próprio MEC a utiliza no Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (CNCT).Ao contrário, ela consegue contemplar com mais precisão a totalidade de cursos existentesentre o Ensino Fundamental e o Ensino Superior.

Assim, no Nível Médio existem desde cursos exclusivamente Técnicos (Formação Profissional), outros inteiramente de Formação Básica (ou Formação Geral) e cursos Híbridos (Técnicos e Básicos) e todos eles compõem a mesma etapa escolar. Ao todo são sete variações.

NÍVEL MÉDIO NO BRASIL ATUAL – VARIAÇÕES
SiglaCurso (Nome)Caracterização (formação ofertada)PúblicoInstituições de RealizaçãoTipoQuant. de Matric.
01EMEnsino Médio RegularFormação BásicaAdolescentesEscola ÚnicaFBMatrícula Única
02EM – EJAEnsino Médio – EJAFormação BásicaAdultosEscola ÚnicaFBMatrícula Única
03TC – EMTécnico Concomitante – EMFormação Básica e Formação ProfissionalAdolescentesEscola Única Ou Duas EscolasHíbDuas Matrículas
04TC – EJATécnico Concomitante – EJAFormação Básica e Formação ProfissionalAdultosEscola Única Ou Duas EscolasHíbDuas Matrículas
05EMIEnsino Médio IntegradoFormação Básica e Formação ProfissionalAdolescentesEscola ÚnicaHíbMatrícula Única
06EMI – EJAEnsino Médio Integrado –  EJAFormação Básica e Formação ProfissionalAdultosEscola ÚnicaHíbMatrícula Única
07TSTécnico Subsequente ou Pós-MédioFormação ProfissionalAdultosEscola ÚnicaFPMatrícula Única
SIGLAS: TC – Técnico Concomitante – quando os estudantes fazem dois cursos de Nível Médio ao mesmo tempo, com matrículas diferentes, podendo ser na mesma escola (concomitância interna)ou escolas distintas (concomitância externa). EJA – Educação de Jovens e Adultos – para as pessoas que não completaram, abandoaram ou não tiveram acesso à educação formal na idade apropriada. Antigo Ensino Supletivo. FB – Formação Básica. FP – Formação Profissional. Híb – Híbrido ou misto (Formação Básica e Formação Profissional no mesmo curso).

Um esclarecimento importante para o leitor é que raramente uma única escola consegue ofertar todas essas sete opções. Inclusive muitos munícipios brasileiros não dispõem de todas essas variações. Mas como toda escolha acertada pressupõe a reflexão sobre a totalidade, então fica aqui registrado o Nível Médio brasileiro na sua completude na atualidade.

Portanto, a escolha do curso de Nível Médio requer várias reflexões. A primeiraé saber se já é hora de se iniciar a profissionalização e caso afirmativo qual curso Técnico escolher e qual modelo adotar (Concomitante, Integrado ou Subsequente). Por isso alguns estudiosos já estão postulando Orientação Profissional para o Nível Médio ainda no Ensino Fundamental. Segundo, todos precisam entender que o Nível Médio tem cinco funções que não podem ser descuidadas nem por pais, educadores e estudantes. São elas: Formativa (Preparação do adolescente para a Vida e Cidadania), Profissional (preparação e/ou habilitação para o Trabalho), Propedêutica (preparação para continuidade dos Estudos), Social (cidadãos valorosos para a sociedade) e Cultural (continuidade da cultura humana).

O Nível Médio não tem uma única função, um único objetivo, e sim vários, o que aliás também ocorre com as demais etapas escolares. O tradicional debate sobre dualidade nesta etapa escolar (escola técnica para pobres e escola preparatória para o Ensino Superior para ricos) transformou-se numa armadilha conceitual paralisante para muitos que precisa ser superada.

A chamada crise de identidade do Nível Médio é outro debate-armadilha que será superado quando entender-se que ele responde a vários objetivos e não a um só. E temos que trabalhar para isso. Pelos adolescentes, pelas famílias, pela sociedade, pela Nação, pela Ciência e pela Cultura Humana.

Prof. Dr. Luciano Marcos Curi – IFTM – Câmpus Uberaba – Contato: lucianocuri@iftm.edu.br