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23 de outubro de 2020 – 14:58 |

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Coluna Esportiva do João Batista de Freitas

O erro da defesa no futebol brasileiro

 

 

Gamarra, jogador paraguaio que atuou no Brasil

 

 

Eu não sou nenhum gênio do futebol brasileiro, não sou treinador, mas como jornalista eu assisto com cuidado aos jogos de futebol, observando o que vem ocorrendo de bom e ruim em nossos campos. E o que mais me intriga é a marcação na bola e não no adversário das defesas de quase todos os times do Brasil, seja da série A ou da série B. A maioria dos gols sai porque a defesa acompanha a bola, sem marcar o adversário. Ora, a bola não faz gol se não for chutada. Pensou que o correto é marcar o adversário, e não a bola.

Principalmente nos lances de linha de fundo, a defesa toda presta atenção no jogador que está com a bola, enquanto algum jogador adversário se posiciona e, se o cruzamento ocorre, está livre para marcar o gol.  Às vezes têm cinco ou seis defensores e apenas dois atacantes, que levam vantagem porque o primeiro consegue lançar e o segundo está livre, enquanto toda a defesa fica olhando a bola. Essa falha ocorre não só nos lances de linha de fundo, mas também em jogadas pelo meio.

Pelo pouco que eu sei, existem dois sistemas de marcação: por zona ou individual. A marcação por zona é quando o jogador da defesa (e volante) fixa uma posição e marca o jogador adversário. A marcação individual é homem a homem. Aonde o atacante for, o defensor o acompanha. Mas é tese geral de que a marcação por zona é mais eficiente e mais moderna. Somente em casos excepcionais deve-se fazer marcação individual, como, por exemplo, quando se joga contra um craque destacado. Como exemplo, normalmente os times que jogavam contra o Santos de Pelé faziam uma marcação individual sobre ele, com dois ou três marcadores.

Tenho visto outra falha incrível, principalmente desde o ano passado com o Cruzeiro de Egídio. Não que Egídio tenha sido o único culpado pelo rebaixamento do Cruzeiro. Mas acontece que ele sempre marcava (ou não marcava) o ponteiro de longe. Somente quando a bola era passada para o dito cujo é que Egídio partia para a marcação, chegando sempre tarde, permitindo o cruzamento. Foi assim que o Cruzeiro tomou inúmeros gols até sua derrocada à série B. O fato se repete em inúmeros laterais do futebol brasileiro, inclusive dos grandes clubes, e acontece tanto pela esquerda quanto pela direita da defesa.

Para não dizer que só vejo defeito nas defesas brasileiras, gostaria de comentar a estratégia do zagueiro Gamarra, o maior zagueiro de todos os tempos que vi jogar. Carlos Gamarra, o paraguaio, era extremamente técnico, raramente fazia faltas, mas estava sempre retomando a bola para a equipe do em que jogava. No Brasil, atuou pelo Internacional, Corinthians, Flamengo e Palmeiras. Jogou muitos anos também pela seleção do seu país. Gamarra tinha uma estratégia nas bolas alçadas na área, principalmente nos escanteios. Ele se posicionava praticamente no meio do gol, bem debaixo da trave. Quando o escanteio era batido pelo alto, fosse na primeira ou na segunda trave, Gamarra simplesmente corria ao encontro da bola e, apesar de não ser muito alto, com o impulso e a precisão sempre ganhava a disputa e tirava a bola da área. Infalível! Hoje o que vemos no futebol brasileiro é um sufoco completo quando há um levantamento na área de qualquer clube.

Quanto ao ataque, também tenho um comentário a fazer. Não tenho uma estatística, mas calculo que mais de 80% das bolas chutadas a gol vão por sobre o travessão, seja porque o jogador que chutou errou a bola, errou a direção, colocou força demais, ou mesmo porque é um perna de pau. Mas penso que os jogadores deveriam treinar intensamente o chute rasteiro em qualquer situação, a menos, lógico, em necessidade real de alçar a bola, como em cruzamentos e cobranças de falta sobre a barreira. Com um treinamento intenso e diário, acredito que o número de chutes sobre o gol seria menor e o número de gols aumentaria consideravelmente.