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6 de agosto de 2020 – 11:52 |

 
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Coluna Ciclo Ambiental Por Juliana Silva

QUAL A SUA RESPONSABILIDADE SOBRE A CONSERVAÇÃO DAS ESPÉCIES SILVESTRES QUE NOS CERCAM?

O texto dessa semana é triste, é doloroso, é difícil de engolir, retrata um impacto ambiental profundo que acontece todos os dias nas estradas do mundo inteiro, sejam elas asfaltadas ou vicinais. Esse texto vem para causar uma reflexão em nós, nos fazer rever a nossa relação com o ambiente que nos cerca, mostrar o quanto somos responsáveis pelos seres vivos que habitam esse planeta junto de nós e os impactos que as nossas atitudes causam em outras espécies.

No último dia 04 de julho de 2020 eu e meu irmão, Carlos Diego, fizemos um pedal para o Arraial da Antinha passando pela famosa Venda do Cerrado. Pedal tranquilo, com 100 kms no total, sem subidas muito longas, daqueles pedais para distrair a cabeça e conversar sobre tudo durante longas horas em cima da bike.

Tudo corria lindamente bem até que nos deparamos com um imenso tamanduá morto ao lado da estrada, provavelmente vítima de algum atropelamento. Foi um dos momentos mais tristes que já vivenciei em um pedal e que me fez questionar inúmeras coisas em relação ao nosso papel como conservadores e protetores da nossa biodiversidade.

Como um animal daquele porte estava ali morto em uma estrada vicinal? Como o motorista não conseguiu desviar dele se ali era uma estrada que, teoricamente, a velocidade deveria ser menor? Como aquilo poderia ter acontecido?

Bem, para as pessoas que pedalam ver animais mortos ao lado das estradas infelizmente ainda é algo comum em nossa região. Quando saímos de speed (bicicleta específica para asfalto), é quase que chocante a quantidade de animas e de espécies diferentes que aparecem mortas. Uma vez, em um único pedal na estrada que vai para Patos de Minas, me deparei com um exemplar de tamanduá, de tatu, de capivara, de seriema e de pássaro mortos ao lado da rodovia.

Ok, ok, eu sei que você deve estar aí se perguntando. Como eu, motorista que trafega a 100 km/h vou desviar de um tatu que, do nada, entra na pista e vem em direção ao meu veículo? A questão que eu gostaria de levantar nesse texto é outra. Porque esse tatu está ali? Porque ele teve que atravessar a rodovia entrando em rota de colisão com o seu carro? O que fez com que ele saísse do seu ambiente natural e fosse parar exatamente ali? A questão para conservação e proteção da biodiversidade nas rodovias vem muito antes do seu veículo passar por ali a 100 km/h.

Nossos animais estão ficando sem locais para sobreviver, sem casa, sem habitat, e tudo isso devido intimamente ao nosso estilo de vida que sempre induz a maior produção de bens e produtos em todos os aspectos. O desmate e descaracterização dos ambientes “naturais” que ainda temos provoca uma ruptura e obriga que as espécies silvestres tenham uma mudança brusca no seu estilo de vida. Essa mudança diz respeito anecessidade de novas áreas para reprodução, para aquisição de alimentos, diz respeito a perda de suas “casas”.

Seria fácil aqui transferir ou“terceirizar” a culpa pela alta mortalidade de animais nas rodovias e estradas vicinais para outros setores da nossa economia, mas esses setores funcionam a todo vapor por causa do nosso estilo de vida extremamente consumista, que abastece a necessidade de produção e faz movimentar o mercado de forma contínua e devastadora. Quem aí, leitor dessa coluna, já praticou os 3 Rs (reduzir, reutilizar e reciclar)? Quem já entrou em um brechó para comprar roupas reutilizadas ao invés de ir na loja e comprar algo novinho em folha? Quem já separou material reciclável para entregar para o caminhão da coleta seletiva? Quem já parou e pensou 2, 3 ou 4 vezes se realmente precisava de algo ao invés de comprar uma mercadoria por impulso?

São essas atitudes que resultarão em menores impactos para a nossa biodiversidade pois, demandarão menos recursos naturais para a produção de bens e produtos diversos. Nosso estilo de vida impacta de forma direta a permanência ou não de espécies de animais e plantas silvestres ao nosso redor. Nosso planeta não possui recursos infinitos para suprir nossas necessidades cada vez mais crescentes. Até mesmo os recursos renováveis, como a água por exemplo, são diariamente poluídos e/ou contaminados, o que acaba por dificultar e encarecer cada vez mais o nosso acesso aela. A ideia de “infinitude” das coisas, dos recursos naturais e do ser humano deve ser repensada uma vez que o atual modelo de vida que temos nos conduz diariamente para o colapso do sistema ambiental como um todo e para a extinção da nossa espécie e de todas as outras com as quais nos relacionamos.

Repense seu estilo de vida, veja se você tem o direito de causar tamanha degradação ambiental em outras espécies que, de alguma forma, sofrem com as nossas ações. O tamanduá morto que vi na estrada vicinal no dia do pedal e que comentei no início desse texto poderia estar ali a procura de alimento, água, de um lugar para acasalar ou simplesmente poderia estar passando de um lado para o outro da estrada a procura de uma mata fechada. Um carro ceifou a vida desse animal e retirou do meio ambiente uma pecinha fundamental para a sua conservação e manutenção. Quantos tamanduás e quantos animais silvestres têm sua vida finalizada de forma trágica e abrupta diariamente nas nossas estradas? Temos o direito de causar isso a esses seres completamente indefesos? Podemos nos considerar e nos comportar como uma raça tão superior como temos feito?

Pense, pense muito sobre isso, repense muito sobre a sua vida sobre o seu estilo de vida, se coloque no lugar desses animais, vamos tentar mudar um pouco o mundo pois, ainda temos um restinho de tempo para isso.