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13 de setembro de 2019 – 18:25 |

Por Maurício de Castro Rosa
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Coluna do Dom Paulo Mendes Peixoto

A confiança dos antigos

 

O Papa Francisco, na exortação “Gaudete et Exsultate” cita dois inimigos sutis da santidade que, por sua vez, ferem também o sentido real da verdadeira fé: é o gnosticismo e o pelagianismo. São heresias do início do cristianismo, mas alarmantes também nos dias de hoje, porque apresentam propostas enganosas sobre a verdade impondo uma roupagem que impede a ação da graça de Deus.

Abraão, enfatizado pela sabedoria divina, fez um caminho bonito de fé, legando-nos uma confiança incondicional em Deus. Enfrentou situações conflitantes de prova e não se deixou levar pelos males de seu tempo. O seu modo autêntico de agir não ficou preso numa vazia racionalidade e nos sentimentos superficiais, dentro daquilo que propõem o gnosticismo e o pelagianismo modernos.

O transcurso da história das pessoas tem marcas profundas de desmotivação da fé. A Palavra de Deus, contida na bíblia, passa por outro caminho, porque ali encontramos, no meio de dificuldades, grandes motivações que conduzem a uma verdadeira confiança em Deus. Muitos personagens bíblicos confirmam essa realidade: além de Abraão, Moisés, os profetas, várias mulheres, os apóstolos etc.

A fidelidade de Deus, na realização de suas promessas, é motivadora de fé para as pessoas. Para aqueles que seguem e têm intimidade com Jesus Cristo, a fé é uma identidade em suas vidas, inclusive com capacidade de abertura para o encontro com o outro na comunidade. Fé, talvez mais do que confiança, que proporciona ao indivíduo “buscar o Reino de Deus” acima de todas as coisas.

Os antigos tinham visão de Deus com características de pastor. Eram imbuídos de confiança e consciência de estarem sob sua proteção. Jesus mostra que as coisas e os bens do mundo são efêmeros e passageiros. Para Ele a vocação do ser humano, como gesto de responsabilidade e permanente vigilância, tem sua plena sustentação e firmeza na confiança e na fé em Deus.

O que servia mesmo de base para preservar a confiança das pessoas antigas, principalmente do Velho Testamento, era a espera da manifestação do Reino, conforme as promessas de Deus. Assim podemos definir a fé, nas palavras de Sagrada Escritura, como sendo “um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se veem” (Hb 11,1). Fé, que é eficaz no cristão.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba.