Destaque »

FestNatal dará visibilidade a campanhas solidárias neste fim de ano

20 de novembro de 2018 – 11:36 |

Empresas, instituições e pessoas que queiram realizar campanhas solidárias neste fim de ano poderão contar com o suporte do FestNatal 2018 em suas ações. Uma das propostas desta edição do evento é que ele congregue …

Leia mais »
Esporte
Cultura
Turismo
Meio Ambiente
Responsabilidade social
Home » +, Política

Entrevista do Romeu Zema para o Sindijori MG

Zema vai adotar critérios técnicos para compor equipe

            Natural de Araxá, cidade do Triângulo Mineiro, Romeu Zema, 53 anos, é pai de dois filhos. Formado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP), iniciou sua trajetória profissional bem cedo, aos 11 anos, seguindo os passos de seu pai. Foi cobrador, frentista, balconista, estoquista, caixa, comprador, vendedor, analista de marketing, analista comercial e gerente.

Em 1991, assumiu o controle das Lojas Zema e foi responsável pelo salto que levou a rede varejista de apenas quatro unidades em Minas Gerias para 430 lojas nos estados de Minas, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Bahia e Espírito Santo.

Apaixonado por gestão e desenvolvimento de pessoas, incentivou práticas que refletem na presença do Grupo Zema no ranking das “Melhores Empresas para se Trabalhar” há 15 anos, de acordo com pesquisas do Instituto Great Place to Work.

Atualmente, Romeu Zema é membro do Conselho do Grupo Zema, composto por empresas que operam em cinco ramos: Varejo de Eletrodomésticos e Móveis, Distribuição de Combustível, Concessionárias de Veículos, Serviços Financeiros e Autopeças. São 5 mil empregados diretos e aproximadamente 1.500 indiretos. O Grupo Zema é a maior rede a atender prioritariamente as cidades do interior do Brasil com até 50 mil habitantes.

Nesta entrevista exclusiva para os jornais associados do Sindicato dos Proprietários de Jornais, Revistas e Similares do Estado de Minas Gerais – Sindijori MG, ele reafirmou que vai buscar técnicos para o seu governo, que vai buscar o diálogo com os partidos políticos e de abrir para as empresas do interior a participação na verba publicitária do Governo. A entrevista segue abaixo:

  1. Era comum na chamada “velha política” do PSDB e do PT lotear os órgãos estaduais espalhados por Minas, como as superintendências (educação, saúde, segurança etc), nomeando para seu comando políticos derrotados ou apadrinhados dos deputados eleitos. Como pretende acabar com esta prática nefasta?

RESPOSTA: Nós vamos usar o critério técnico para escolher quem vai gerenciar os equipamentos do Estado. Como disse, durante toda a minha campanha, vamos acabar com os cabides de emprego, com a troca de favores na hora de preenchimento dos cargos. O mineiro pode ter certeza de que somente pessoas qualificadas, competentes e capacitadas estarão no meu governo.

  1. O senhor foi vítima de uma campanha de detração patrocinada pelo PSDB e o Senador Anastasia, a qual descambou até mesmo para mentiras acerca de sua vida pessoal. Como será sua relação com os tucanos e com o seu concorrente, que ainda terá 4 anos no Senado Federal?

RESPOSTA: A campanha eleitoral ficou para trás. Durante meu governo, pretendo dialogar com todos os parlamentares de qualquer partido e de todas as esferas, federal, estadual e municipal. E acredito que eles também estarão abertos ao diálogo, pois, para recuperar Minas, precisamos da parceria harmônica entre o Executivo e o Legislativo.

  1. Minas Gerais tem uma importante estrada estadual administrada por uma Parceria Público Privada, a MG 050, que liga BH ao Estado de São Paulo. Como o senhor avalia essa experiência? Tem intenção de ampliá-la para outras estradas estaduais?

RESPOSTA: A MG-050, na verdade, liga Belo Horizonte a São Sebastião do Paraíso, próximo à divisa com São Paulo. O trecho entre Juatuba e São Sebastião do Paraíso, com pouco mais de 370 quilômetros, é que foi concedido à iniciativa privada, por meio de uma PPP. Ali, os motoristas contam com serviços de apoio ao usuário e constante manutenção. Claro que é uma ótima experiência. Mas, quanto à ampliação, possivelmente iremos fazê-la, mas teremos de avaliar e estudar com cuidado o que pode ser feito.

  1. O atual governador criou os Fóruns Regionais de Desenvolvimento. Cada reunião implicava num grande aparato (aviões, helicópteros, segurança etc) e os resultados práticos foram nulos ou pífios. O senhor pretende continuar com esses fóruns nos mesmos moldes em que foram concebidos?

Resposta: A ideia de promover um canal de diálogo, por meio do Fórum, é sensacional. Acredito que seja absolutamente possível planejar e executar encontros regionais que garantam a participação da população no processo de democracia com eficiência, simplicidade e baixo custo. Este e todos os outros projetos e ações terão os moldes avaliados para então terem seus caminhos definidos.

  1. 82% da população de Minas mora no interior e até agora, praticamente, todo o e investimento publicitário do Governo do Estado é direcionado para os veículos de comunicação de Belo Horizonte. O senhor tem conhecimento dos critérios desses investimentos? Pretende promover mudanças?

RESPOSTA: Terei mais conhecimento ao avaliar, junto à equipe técnica, os últimos editais para tais contratações. Penso ser justo e funcional que as licitações publicitárias sejam abertas às empresas de pequeno, médio e grande portes, tendo seus editais pautados na transparência e na imparcialidade. Entendo que, empresas de qualquer lugar de Minas Gerais, que correspondam com as exigências técnicas e legais, possam vir a pleitear um contrato publicitário com o governo, de acordo com as demandas.

  1. Em entrevista durante a campanha, o senhor descartou a realização de concursos públicos para as unidades encampadas da Unidades da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Como serão as contratações dos professores e funcionários, por designação como vem sendo feito, ou será o momento do Governo admitir o erro de encampar unidades que não pode custear e partir direto para a privatização?

RESPOSTA: Num primeiro momento, não vamos partir direto para nenhuma privatização. Todos os casos em que haja possibilidade de estabelecer parcerias com o setor privado terão de ser estudados com muita cautela. Mas, futuramente, para que as universidades continuem crescendo e possam fomentar pesquisas, podemos sim pensar em buscar novas fontes de receitas, por meio de parcerias público privadas. Porém, com a certeza de que os alunos não serão prejudicados.

 

  1. O senhor vai transformar o Palácio das Mangabeiras, moradia de todos os ex-governadores, em um “museu das mordomias”. Por que não vender o imóvel?

RESPOSTA: O Palácio das Mangabeiras, construído na década de 1950, se não me engano, além de moradia de muitos governadores, palco de ostentação e desperdícios, também presenciou importantes capítulos da História de Minas Gerais. Em respeito à História, ao patrimônio físico e moral dos mineiros, o Palácio, ideia de Juscelino, projeto de Niemeyer e arborizado por Burle Marx, dever ser preservado assim como todos os outros prédios públicos, guardiães da História de Minas Gerais.

  1. Durante a campanha, o senhor se comprometeu em cartório abrir mão do subsídio de governador. Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, e João Dória, de São Paulo, também o fizeram. Isto não deveria virar regra, inclusive para a safra dos novos prefeitos?

RESPOSTA: Considero que, aqui em Minas, com os servidores estaduais recebendo vencimentos atrasados e parcelados, seria indecente nós, que assumimos o Governo, recebêssemos nossos salários. O exemplo deve vir de cima. Sempre fiz isso nas minhas empresas e vou continuar dando exemplo com governador.

  1. Os Secretários de Estado também terão de abrir mão de remuneração, o que foi alvo de críticas dos seus adversários da “velha política”. Já tem em mente quantas pastas manterá e quais são?

RESPOSTA: Das 21 secretarias reduziremos para nove. Algumas fusões já estão definidas, como a Secretaria de Administração Prisional se juntar à Secretaria de Defesa; a Secretaria do Meio ambiente, à da Agricultura. E estamos avaliando quais outras alterações serão feitas.

  1. O senhor colocou no seu plano de governo as privatizações de estatais como uma das suas prioridades, porém, no primeiro discurso voltou atrás. Passado o calor da disputa, não seria o momento de implementar as vendas e com o resultado delas pagar as dívidas do Estado?

RESPOSTA: O que acontece é que algumas empresas, como Cemig e Copasa, por conta da má gestão, estão abaixo do valor de mercado. Não resolveria nosso problema privatizá-las num primeiro momento. Temos primeiro de reestruturá-las para aí, sim, pensar em privatização. Sempre pensando se essa medida vai trazer benefícios para os usuários dos serviços.

  1. Ainda sobre as privatizações, o senhor falou em seu plano “Liberdade ainda que tardia”, que deve tornar empresas públicas mais eficientes e menos estatais por meio do processo de abertura para aporte de capital privado, com possível presença de “golden share” em favor do Estado. O que é exatamente isso e quais empresas entrariam neste processo?

RESPOSTA: O termo golden shares (ações de ouro ou ações douradas, em tradução livre do inglês) é a definição britânica para ações de classe especial presentes em empresas estatais ou de capital misto. Tais papéis pertencem ao Estado, que garante com eles direitos especiais de caráter estratégico, como o poder de veto de algumas decisões. No entanto, antes de se falar em conceder atividades públicas para a iniciativa privada, teremos que retomar a valorização de mercado das companhias estatais mineiras. A crise fiscal instalada hoje em Minas faz com que o Estado perca por ano uma Cemig em termos financeiros. No primeiro momento, temos que fazer a economia mineira voltar a crescer, com o governo sendo um facilitador e não um dificultador para isso.

  1. Notícias divulgadas alertam sobre nova greve dos caminhoneiros. Por que o Brasil não investe na construção de ferrovias para evitar isso tudo? Poderia ser uma pauta a ser defendida pelo senhor junto ao novo Presidente da República, Jair Bolsonaro.

RESPOSTA: A rede ferroviária vem sendo abandonada e sucateada desde a década de 1960. Acredito que são necessários recursos não só para ampliação da malha, mas também para melhoria das tecnologias utilizadas. Para isso, é preciso estimular parcerias entre o Governo de Minas e o setor privado, para não dependermos exclusivamente do governo federal, que também precisa reequilibrar suas contas.

  1. O que o senhor acha do movimento de emancipação do Triângulo Mineiro? Estaria disposto a incentivar essa proposta?

RESPOSTA: Como já diz o poeta, Minas são várias. Sou de uma cidade que fica entre o Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba. Nasci mineiro e vou morrer mineiro. Nós do Triângulo levamos a condição de mineiros até no nome da nossa região. Serei o governador de todos os mineiros.