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19 de Maio de 2018 – 0:36 |

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Jornalista araxaense Toninho Drummond morre aos 82 anos

Toninho com Doutor Roberto Marinho e dona Lili de Carvalho. Foto Orlando Brito

O jornalista Toninho Drummond faleceu na madrugada do último sábado (24/3), aos 82 anos, em Brasília, cidade onde vivia. Segundo o site Memorial Globo, ele havia sido internado devido a uma infecção renal e a uma pneumonia e sofreu falência múltipla dos órgãos. Nascido Antonio Carlos Drummond, em 31 de janeiro de 1936, na cidade de Araxá (MG), o jornalista foi para Belo Horizonte estudar direito. Durante a faculdade, porém, começou a trabalhar no jornal Estado de Minas, do grupo Diários Associados, e abraçou a nova carreira. Após mudar-se para Brasília, trabalhou por 25 anos na direção da sucursal da Rede Globo na cidade, onde chegou ao cargo de diretor. Durante sua trajetória profissional, Toninho participou da cobertura de grandes momentos da história do Brasil e do mundo, como a primeira eleição para presidente após a ditadura militar, em 1989; o impeachment de Fernando Collor de Mello e a guerra entre o Irã e o Iraque, na qual conseguiu negociar uma entrevista com Saddam Hussein, realizada por Ricardo Pereira. Ele estava aposentado desde 2012. Toninho Drummond era irmãao de outro araxaense notável, o ex-ministro Olavo Drummond. A pedido do próprio Toninho, seu corpo foi cremado em Brasília e as cinzas trazidas para Araxá, a sua cidade natal. A Prefeitura de Araxá, decretou luto oficial de três dias, pela morte de Toninho Drummond.

Amigos lamentam a morte de Toninho

“Toninho Drumond é uma daquelas pessoas que só nos deixa boas lembranças. Sua educação, sua gentileza no trato das pessoas e principalmente sua enorme experiência profissional foram exemplares para todos nós que convivemos com ele. É uma perda para o jornalismo brasileiro e para Brasília. Minha solidariedade à família e aos amigos dele.”

Rodrigo Rollemberg, governador do Distrito Federal

“Toninho Drummond foi um dos expoentes da sua geração, honrando a tradição mineira que tão bons jornalistas deu ao país. Tenaz, mas sempre gentil; altamente competente, mas sem nenhuma dose de estrelismo; de uma seriedade ímpar no que fazia, mas sempre irradiando bom humor. Formou uma legião de jornalistas. O Grupo Globo deve muito ao talento dele, e expressa a sua imensa gratidão. Toninho foi um profissional exemplar e um amigo querido. Nossa solidariedade à família.”

Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho, do Grupo Globo

“O PIANTAS está de luto. Nos últimos tempos tivemos o prazer de ter a companhia do nosso querido e dileto amigo TONINHO DRUMMOND, uma lenda no jornalismo brasileiro. Mas choramos muito mais o verdadeiro amigo que se foi. Um homem a quem o poder não corrompeu. Levava dentro dele o espírito livre das nossas Minas Gerais e a alegria de uma pessoa que acreditava que a vida vale a pena. Tive o prazer de dividir com ele as mesas, as roletas, os vinhos e as infindáveis histórias de uma vida rica em amizades e casos. Ele, seja lá o que existir depois desta vida, logo logo estará, com seu jeitinho único, a sentar em novas mesas e a encantar. Vai com Deus meu amigo. Um brinde!”

Kakay de Almeida Castro, advogado

 

Pelo Twitter, o presidente Michel Temer lamentou a morte do jornalista. “Meus pêsames pela morte do grande jornalista Toninho Drummond, expoente do jornalismo brasileiro que participou de coberturas importantes no País, sempre com profissionalismo e competência. Meus pensamentos estão com os amigos e os familiares”, escreveu o presidente na rede social.

Em nota de pesar, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) disse lamentar profundamente a morte. “Toninho Drummond deixa um importante legado de dedicação e compromisso com o jornalismo […] Além de grande profissional, Toninho Drummond foi uma personalidade que conquistou uma legião de amigos e admiradores”, diz a nota, assinada pelo presidente da entidade, Paulo Tonet Camargo.

Biografia

Toninho Drummond nasceu em Araxá, Minas Gerais, em 31 de janeiro de 1936. Mudou-se para Belo Horizonte para estudar direito, curso que não chegou a concluir, pois começou a trabalhar como jornalista. Iniciou sua carreira no início da década de 1960, como repórter do jornal O Estado de Minas, primeiro cobrindo polícia e, em seguida, política. Simultaneamente, trabalhava na sucursal mineira do jornal Última Hora. Afastou-se das atividades jornalísticas entre 1966 e 1970, durante o governo de Israel Pinheiro em Minas Gerais, que o convidou para ser seu assessor. Três anos depois, no entanto, voltou a trabalhar com jornalismo, dessa vez na televisão. A convite de Armando Nogueira, então diretor da Central Globo de Jornalismo, assumiu a direção do jornalismo da Globo em Brasília. Inaugurada em 21 de abril de 1971, o sinal da emissora atingia, além do Distrito Federal, as cidades de Goiânia, Anápolis, Cristalina, Luziânia e outras localidades de Goiás. Toninho Drummond entrou para a Globo com a incumbência de fortalecer a participação da capital federal nos telejornais de rede e incrementar o noticiário político. Para implementar seu projeto, precisou enfrentar um difícil momento da política nacional brasileira. Devido à contundente atuação da Censura durante o governo do general Emilio Garrastazu Médici, o jornalismo político tinha pouca expressão nos telejornais da emissora, o que fazia com que Brasília quase não participasse da programação de rede. A sucursal produzia basicamente o noticiário local, cobrindo os acontecimentos e problemas da cidade. Somente com a chegada do general Ernesto Geisel ao poder, em março de 1974, as relações do jornalismo com o governo melhoraram. Geisel iniciou um processo de abertura política lento e gradual, e teve como uma das medidas a diminuição da severa ação da censura sobre os meios de comunicação. Diplomaticamente, Toninho Drummond construiu espaço para o desenvolvimento do jornalismo da Globo em Brasília. Sob sua direção, o jornalismo da emissora desenvolveu-se, aumentando sua equipe e sua participação no noticiário nacional. Os repórteres passaram a cobrir diariamente o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e os ministérios, ampliando as notícias sobre política brasileira em todos os telejornais, especialmente no Jornal Nacional.

Coberturas importantes

Entre as coberturas importantes coordenadas por Toninho Drummond nesse período está a viagem oficial de Geisel ao Japão, em setembro de 1976. Dez profissionais da Globo acompanharam a visita do presidente, enviando material para os telejornais da emissora. A equipe era formada pelos repórteres Sandra Passarinho, Geraldo Costa Manso e Sumika Yamazaki. No último dia da viagem, quando Geisel viajava de Tóquio para Kioto no trem-bala, Costa Manso conseguiu uma entrevista exclusiva com o presidente, exibida no mesmo dia no Fantástico. Além de assuntos relacionados à viagem, Geisel deu declarações sobre as dificuldades de comandar o país naquele momento. Também em 1976, Toninho Drummond acompanhou todo o planejamento da Globo para cobrir as eleições diretas para prefeitos no país – com exceção das capitais e de alguns municípios considerados áreas de segurança nacional. Ao lado de outros profissionais da emissora, o então diretor de jornalismo de Brasília comandou a operação do Rio de Janeiro, que começou a ser planejada quatro meses antes das eleições. Era a primeira vez que a Globo investia na cobertura de um evento deste tipo, mobilizando repórteres especiais em todo o país. Foi um momento importante para o jornalismo do canal, que mostrou, pela primeira vez, o Brasil debatendo política.  Outro momento marcante na trajetória de Toninho Drummond no jornalismo da Globo foi a entrevista com Saddam Hussein durante a guerra Irã-Iraque. Realizada pelo repórter Ricardo Pereira e pelo cinegrafista Benevides Neto, no palácio presidencial em Bagdá, a entrevista foi duramente negociada por Toninho Drummond. Para consegui-la, ele procurou o embaixador do Iraque no Brasil e argumentou que se Saddam Hussein queria ser um líder do Terceiro Mundo, precisava dar prioridade a uma televisão do Terceiro Mundo. Os argumentos foram aceitos e a equipe da Globo viajou para Bagdá. Em 29 de junho de 1981, o Jornal Nacional mostrou com exclusividade o presidente do Iraque falando sobre paz no Oriente Médio, eleições em Israel e sobre as relações de seu país com o Brasil.

Entre maio de 1982 e setembro de 1983, Toninho Drummond foi diretor do programa jornalístico O Povo e o Presidente. Produzido por Aloysio Legey e Mauro Rychter e apresentado por Ney Gonçalves Dias, ia ao ar aos domingos, após o Fantástico. O programa surgiu de um convite feito por Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo, ao então presidente João Figueiredo, em 1982. Na carta, o jornalista propunha a criação de um espaço na televisão para o diálogo entre a população e o presidente da República. Figueiredo respondia a cartas enviadas pelos telespectadores para as emissoras e afiliadas da Rede Globo. O programa era gravado no Palácio da Alvorada, em Brasília.

Em 1983, após ter participado da implantação do telejornal Bom Dia Brasil, Toninho Drummond deixou a Globo para assumir um cargo executivo no Unibanco. Em seguida, durante o governo de José Sarney, assumiu o cargo de presidente da Radiobrás. Ainda em meados da década de 1980, se tornou diretor da TV Bandeirantes em Brasília, no momento da implantação da emissora na capital.

Em 1988, trabalhou como subchefe para assuntos de imprensa e divulgação da presidência da República, onde ficou por pouco tempo, pois foi convidado por Roberto Marinho para assumir a direção regional da Globo em Brasília.

De volta à Globo, Toninho Drummond acompanhou outros momentos importantes da política nacional brasileira, como as primeiras eleições diretas para presidente, em 1989, e o processo de impeachment do presidente Fernando Collor, em 1992. Desde o início da década de 1990, acompanhou as diversas Comissões Parlamentares de Inquérito, coberturas marcantes pela sua contribuição à discussão sobre corrupção e ética no Brasil.