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22 de junho de 2018 – 20:02 |

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CBMM é avaliada em US$ 13 bi, com reservas para 200 anos

  Por: José Maria Mayrink

A mina de nióbio – que é misturado ao aço para uso na fabricação de automóveis, estruturas, gasodutos e turbinas – era só promessa e esperança em 1965, quando o embaixador e banqueiro Walter Moreira Salles se associou à companhia de mineração Molycorp, para produzir o metal em Araxá, no Triângulo Mineiro. Deu esse passo a convite de um amigo, o almirante Arthur Radford, que presidia o conselho da empresa americana. Tornou-se sócio majoritário, com 55% do capital e mais tarde passou a ser o único dono, ao comprar os 45% restantes.

Assim nasceu a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), hoje propriedade dos herdeiros – Fernando, Pedro, João e Walter – os quatro filhos que tocam o negócio, avaliado em US$ 13 bilhões, a maior fatia da fortuna da família. Os Moreira Salles são sócios também do Itaú Unibanco, no qual detêm 33,5% ou US$ 7,1 bilhões. O valor da CBMM é estimado com base da venda de 30% da empresa para consórcios de Japão-Coréia do Sul (15%) e China (15%), por US$ 3,9 bilhões, em 2011.

“Exploramos a mina, processamos o minério, produzimos o nióbio e criamos o mercado”, diz o presidente da CBMM, engenheiro metalúrgico Tadeu Carneiro, resumindo as 15 etapas de tecnologia avançada desenvolvida em 50 anos. Resultado: a companhia dos Moreira Salles vende hoje 80% do nióbio do mundo. No Brasil, onde estão 98% das reservas conhecidas do metal, só existe outra mineradora, a Catalão, em Goiás, da britânica Anglo-American, com produção de 8%.

A CBMM, com faturamento de R$ 4 bilhões, tem cerca de 2 mil empregados, aos quais está pagando este ano 8,5 salários como participação nos lucros – ou seja, 21,5 salários em 2013 para todo o seu pessoal, da escavação da mina à direção geral. O menor salário na companhia é de R$ 2.950. Do lucro líquido, 25% vão para os cofres do de Minas Gerais – são cerca de R$ 750 milhões que o Estado embolsa este ano. Os impostos federais somam R$ 800 milhões.

As instalações estão em Araxá, onde um complexo industrial em fase de expansão recebe o minério em esteiras mecânicas e embala o nióbio concentrado para os clientes. “Daqui não sai um grão de minério, mas só o nióbio”, informa Carneiro, apontando o produto industrializado, que deixa Araxá em cilindros, sacas e latões. São mais de 400 clientes, de 60 países, incluindo o Brasil. A CBMM despacha 70 toneladas por dia, em comboios de seis a oito caminhões, que viajam com escolta armada. As exportações são feitas pelo porto do Rio. Já houve roubo de carga, supostamente desviada por encomenda.

O nióbio tem endereço certo: 90% dele vão para o aço, com o qual é misturado na proporção de 400 gramas por tonelada. Os carros, estruturas e gasodutos fabricados com essa mescla ficam mais leves e resistentes. O metal é empregado ainda em muitos outros produtos, como turbinas de aviões e turbinas estacionárias, lentes óticas, relógios e tomógrafos. O ferro-nióbio é vendido a US$ 41 o quilo.

A companhia de Araxá tem reserva estimada de 829 milhões de toneladas, de acordo com as prospecções de 2000, quando mais 300 furos se somaram aos 71 feitos até então na mina a céu aberto, que tem diâmetro de 4,5 quilômetros quadrados. Na base da mineração atual, de 70 mil toneladas/ano – 65% de ferro-nióbio e 5% de outros produtos, incluindo 200 toneladas de nióbio metálico – a reserva deve durar de 150 a 200 anos. O prazo de concessão, por tempo indeterminado, não será alterado pelo novo Código de Mineração, de acordo com o projeto de lei do Planalto. Só o Brasil explora e comercializa o nióbio em tamanha quantidade (o Canadá tem produção mínima) e com bom domínio da tecnologia.

“O nióbio não é raro, pois existem 300 jazidas semelhantes às de Araxá em vários países, entre eles Gabão, Rússia e Austrália, além do Canadá”, diz Carneiro. A vantagem do Brasil e da CBMM é o domínio de uma tecnologia avançada para produzir o metal e outros elementos agregados. As reservas russas ficam na Sibéria, onde a dificuldade da exploração no inverno exigiria a transferência do minério para usinas distantes. Os Estados Unidos, que têm reservas no Nebraska, não produzem nióbio e importam 10 mil toneladas da CBMM por ano.

A China, que produz 700 milhões de toneladas, do total de 1,4 bilhão de toneladas do aço do mundo, interessou-se pela compra de 15% das ações da CBMM para garantir o abastecimento de nióbio Quanto ao consórcio nipo-coreano, que também comprou 15% das ações, o interesse foi pela tecnologia. É possível que os Estados Unidos, a China e países europeus desenvolvam a tecnologia ou busquem alternativas para o nióbio nos próximos anos, criando concorrência para as empresas brasileiras.

“Estamos investindo R$ 1 bilhão na expansão de Araxá, para aumentar nossa capacidade de produção, de 90 mil para 150 mil toneladas, até 2015”, informa Carneiro, acrescentando que a preocupação é não deixar faltar nióbio no mercado. Como existe potencial, a CBMM continua lutando pelo mercado, sempre tentando convencer os produtores de aço a usar o metal. “Não existe siderúrgica no mundo que não conheça a gente”, garante. (AE)