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19 de Maio de 2018 – 0:36 |

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EMISSORAS DE RÁDIO (AM) QUE DESAPARECERAM

Parte 01

Por Francisco José Géa

APRESENTAÇÃO

Um dos bons hábitos que cultivo, há muitos anos, e que aprendi com meu pai, o qual continuoaté hoje, é o de ouvir rádio, fato este que teve o seu início, lá no finaldos anos 50, em minha terra natal ( Formiga-MG), por intermédio de um radinho de cabeceira, da marca RCA Victor, de válvulas, também conhecido como ‘rabo quente’. Sempre considerei que ouvir rádio, é ficar sabendo das coisas, e de tomar conhecimento do que está acontecendo, com uma maior rapidez, além de ouvir uma música de boa qualidade, coisa que nos dias de hoje, se tornou uma raridade, ou seja, da gente ouvir uma música boa e bonita. E foi movido por esta paixão pelorádio, que há alguns anos atrás, levou-me a escrever um livro, sobre a história e a trajetória, da principal e mais antiga emissora de minha terra natal, ou seja, a Rádio Difusora Formiguense, a antiga ZYB-6. Aquela foi uma obra da qual muito me envaideceu, sendo que este livro, até hoje, é muito procurado e disputado por meus conterrâneos. Também, há de se registrar, que no ano de 2.003, já residindo aqui em Araxá, participei com mais de 80% de informações para que um amigo, professor da Unifor – Universidade de Formiga, elaborasse uma tese de mestrado sobre a história daquela emissora, do qual o mesmo saiu vencedor. Além disto  tudo, tem  que considerar que durante um certo período de minha vida participei de programação, daquela emissora,com umprograma semanal, que se intitulava de ‘Era Uma Vez’, que era comandado pela radialista Senhora Geralda Pinto. E aqui em Araxá, em um curto período, também tive a honra e o privilégio de participar doprograma ‘Araxá Hoje’, na Rádio Imbiara, por intermédio  da ‘finada’, ondas médias, programa que era comandado pelos amigos, José Antônio Luiz Filho e Oredes Santos. Então, por tudo isto e muito mais, é que posso afirmar, sem nenhum medo de errar, sem nenhuma falsa modéstia, que realmente conheço alguma coisa sobre a história do rádio, principalmente sobre a história das emissoras de rádio da cidade do Rio de Janeiro, que foram as emissoras que fizeram a minha ‘cabeça’ e a cabeça de milhares de ouvintes, da minha geração e também de ouvintes de todo o Brasil.

EMISSORAS QUE NÃO EXISTEM MAIS

Algumas emissoras de rádio,que hoje já não mais existem, contaram ao vivo, muitas coisas, que tem relação com a própria história do Brasil, pois relataram muitos fatos que aconteceram durante o século. Recordo, de muita coisa, com muita saudade, pois cresci e me tornei gente, ouvindo algumas destas emissoras, e sei que elas tiveram sim, uma participação e nos contumes e no desenvolvimento do Brasil.

RÁDIO MAYRINK VEIGA DO RIO DE JANEIRO

Nos anos 50, até no ano de 1964, esta emissora da cidade do Rio de Janeiro, foi uma das mais fortes formadoras de opiniões, sendo que ela foi uma das pioneiras  do pais. Fundada em 1926, reinou grandiosa e soberana durante muitos anos. Foi de lá, que nasceram todos os grandes programas de rádio, que fizeram escola para outras emissoras. Produzia e criava programas de auditório, musicais, humorísticos, informativos, esportivos, crônicas e narrações,  esportivas e etc.Também foi quem implantou, junto com o Ministério do Trabalho, as normas, as leis e os conceitos trabalhistas, que até hoje, regem o sitema de trabalho dos radialistas de todo o pais. Reinou grandiosa, poderosa e triunfante, sempre ao lado da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, durante décadas, sendo que o seuapogeu, deu-se durante os anos 50, até o ano de 1963,quando teve 25% dos seus direitos adquiridos, pelo então deputado federal Leonel Brizola, que nesta época era deputado federal pelo então Estado da Guanabara. Entretanto, ele, Leonel Brizola, apesar de não possuir o controle acionário total, da Rádio Mayrink Veiga, em uma estranha e escusa manobra, tomou a Rádio como se ela fosse apenas de sua propriedade, tornando a emissora, uma porta voz de suas doutrinas políticas e de suas ideias esquerdistas. Então, a rádio  a partir desta intervenção, passou a irradiar apenas aquilo que o seu sócio proprietário exigia.  A sua programação foi toda modificada, sendo que ela,  tornou-se o símbolo de uma emissora radical. Ela ficou marcada, ficou odiada pelos vencedores da Revolução de 1964, sendo que a primeira vez, em que ela foi tirada do ar, aconteceu na trágica noite de primeiro de abril de 1964. E por ter sido criadora e a geradora dos programas radiofônicos, da chamada ‘ Rede da Legalidade’, e por ter sido identificada com o governo que foi retirado do poder (João Goulart), a Rádio Mayrink Veiga, finalmente foi retirada do ar silenciada para sempre, fato que aconteceu em julho de 1965, por ordem do governo militar. Esta rádio pagou o preço, por  ter ficadodo ladoperdedor, e exatamente no dia decisivo da revolução. Então em nome desta decisão política, a sua longa e magnífica participação na vida cultural brasileira foi brutalmente silenciada para sempre. Até hoje é do desconhecimento geral, para onde foi parar o seu acervo, ou seja os seus arquivos, registros, equipamentos, transmissores e etc. Simplesmente desapareceram para sempre, restando apenas o que ficou na memória de antigos ouvintes, jornalisticas e historiadores. Sumiu e nem deixou endereço.

TÍTULOS DE ALGUNS INESQUECÍVEIS PROGRAMAS DA RÁDIO MAYRINK VEIGA

– Hoje é dia de Rock ( musical, produzido e apresentado por Izac Zaltmann).

A turma da Maré Mansa( humorístico)

A cidade se diverte ( humorístico)

Miss Campeonato ( esportivo humorístico)

Marmelândia ( humorístico)

Me dá o meu boné ( informativo)

Vai da valsa ( musical e humorístico)

Todos esses programas possuiam a direção artística do radialista Jair Taumaturgo, um genial radialista e jornalista, pessoa da mais alta competência, que tinha sob o seu comando, nomes que se consagraram e que posteriormente entraram para a história do radio no Brasil, nomes como os de Chico Anísio, Max Nunes, Zé Trindade, Sérgio Porto ( Stanislaw Ponte Preta), Haroldo Barbosa, Antônio Maria, Isac Zaltamann, Castrinho, Procopinho, Ruy Porto, Zezé Macedo, Dolores Duran e Rose Rondelli. Como se vê ‘cast’ de contratados da Rádio Mayrink Veiga, era um time da pesada, composto de gente com o mais puro talento e cada um dentro da sua especialidade, deixaram o seu nome registrado na história do rádio brasileiro.

( Na próxim edição a história da RÁDIO NACIONAL DO Rio de Janeiro)