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Élvio Bertoni fala das ações e novos projetos de segurança e trânsito em Araxá

20 de Janeiro de 2018 – 15:27 |

Em entrevista exclusiva ao JORNAL INTERAÇÃO, o Secretário Municipal de Segurança Urbana e Cidadania, Élvio Bertoni, fez um balanço das ações da pasta em 2017 e detalhou alguns projetos que deverão ser colocados …

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Do lava rios

Stefan Salej

Minas Gerais é uma terra de montanhas, rios, planícies e riquezas naturais, começando por suas reservas minerais, e um enorme potencial biológico. A história do estado sempre foi  construída na base de suas riquezas minerais, por bem ou por mal. Através dos tempos, a valorização de seus minerais mudou, das pedras preciosas passou para o nióbio, e agora para o lítio, que está sendo usado em baterias para a nova era eletrônica e digital. Passamos pelo quartzo para uso em telecomunicações, pelos diamantes para a beleza e o uso industrial, pelo minério de ferro da mais alta qualidade e mais dezenas de minerais e minérios extraídos da terra que também produz café, soja, milho, e até o fosfato que alimenta sua agricultura toda em expansão.

Essa identificação na mineraria também  produziu a melhor escola de Engenharia de Minas da América Latina, em Ouro Preto, graças ao pioneirismo do engenheiro Gorceix. E os primeiros fornos de fundição em Ouro Branco, a primeira planta de alumínio feita pelo lendário Américo Rene Gianetti em Ouro Preto e muitos empreendimentos mais. Com o descobrimento de riquezas vieram estrangeiros, ou como exploradores ou como investidores. Nas minas de ouro, de Nova Lima, ou de São João del Rey, eram os ingleses. A Siderúrgica Mineira de Sabará foi vendida em 1928 para os luxemburgueses e virou a Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, hoje grupo Mittal, indiano. Em resumo, o nome de Minas Gerais é mineração. Foi fundada na metade do século passado a Companhia Vale do Rio Doce, com sede no Rio de Janeiro, mas com suas minas  em Minas Gerais, em especial Itabira, descritas como nunca pela tristeza do que viraram, pelo eterno poeta Carlos Drummond de Andrade.

Ai, aconteceu o acidente no ano passado na mina da Samarco, de Mariana. Sujou o Rio Doce, destruiu cidades, destruiu vidas, manchou a alma mineira. E até agora, mina fechada, muitas discussões, muitas promessas e nada resolvido. Nem do ponto de vista jurídico, nem politico e nem econômico. Enquanto os fiscais de meio ambiente do estado e das prefeituras ficam caçando pequenos infratores para atender pedidos de vingança política, as questões maiores de meio ambiente no estado ficam paradas e sem solução.

Não se trata tão somente de licenças de funcionamento, mas essencialmente de, através da solução do caso de Mariana, demonstrar  a capacidade  do estado de administrar o meio ambiente e dar-lhe uma solução. A mineração por si só não é nenhum mal, mas deve ser parceira ambientalmente responsável. Minas está perdendo lugar não só para estados do norte, mas também para o Peru e Chile.

Por mais que se tente diversificar a economia mineira, a mineração e a indústria correlata aos agronegócios ainda serão sustentáculos e base de desenvolvimento. Mas, é preciso resolver os caso pendentes e fazer uma política consensual de desenvolvimento.

 

STEFAN SALEJ, consultor empresarial, foi presidente do Sistema Fiemg e Sebrae MG