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Fiscais da Vigilância Sanitária de 8 cidades participam de oficinas em Araxá

21 de maio de 2019 – 16:42 |

Os profissionais que trabalham com fiscalização no setor de Vigilância Sanitária na Microrregião do Planalto de Araxá se reuniram no último final dee smeana.  Nos encontros as equipes participaram de oficinas onde …

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Da responsabilidade empresarial Stefan Salej

O episódio trágico de Brumadinho abriu  mais uma vez a discussão sobre a responsabilidade social, ambiental, e econômica das empresas e dos empresários. A versão, no caso específico da Vale, é que a empresa é um exemplo de responsabilidade social e ambiental. O fato é que nos últimos três  anos morreram em acidentes mais de 120 pessoas nas instalações da empresa. E o fato prevalece sobre a versão.

 

A questão é qual o grau de confiabilidade tem a tal “responsabilidade social corporativa (RSC)” após os fatos que mostram que os programas são falhos e funcionam só enquanto não acontecem desastres. O assunto não é novo no mundo empresarial e um dos primeiros acidentes ocorreu na Índia, quando vazou líquido tóxico e matou muita gente. E a esse acidente se seguiram vários e empresas foram sempre punidas e suas imagens bem arranhadas. Há empresas alemães que hoje são grandes campeões de ética,  que colaboraram com o governo nazista no genocídio dos seis milhões de judeus.

 

Aqui no Brasil, inclusive nos casos mais recentes, não temos quem verifique, além da imprensa e de instituições contaminadas, a veracidade da RSC. E então se acredita em quem tem mais poder na mídia, que é melhor. Os últimos acontecimentos terão que mudar os critérios, inclusive com maior adoção de normas internacionais nessa área, com a devida cerificação. Mas, aí também tem problema, já que um dos maiores certificadores é exatamente a empresa alemã TUV, que atestou que a barragem de Brumadinho estava perfeita.

 

Uma outra questão é o papel das entidades empresariais. Em Minas, e em especial na atual gestão da FIEMG, discute-se muito a defesa da indústria. De fato, há muito a se fazer na defesa das parcerias da indústria com a sociedade, onde inclusive faltam iniciativas e projetos. Mas, como defender os próprios mineradores que no caso específico quebraram Minas Gerais e provocaram tantas mortes? Não há como negar que a opção de desenvolvimento a favor do empresariado mineral, em conjunto com os políticos, foi o que prevaleceu em Minas desde a descoberta do Brasil. Essa ilusão de riqueza e sua exploração, muito mais a favor dos exploradores do que da nação como um todo, foi poucas vezes discutida. Minas com sua elite empresarial e política preferiu leniência do que uma transformação de sua economia.

 

Acabaram com a melhor escola de engenharia de Minas do Brasil. A FIEMG protegeu, com entidades como o IBRAM e os respectivos sindicatos do setor, o gangsterismo em detrimento do bem comum, inclusive empresarial. E junto com políticos que não são capazes de encontrar outras fórmulas para o desenvolvimento, criou-se uma ciranda que levou, com um sistema judicial omisso e parceiro da ciranda, às consequências de quebra de Minas e a mortes que todos vão ter nas suas consciências. A impunidade do passado gerou os acontecimentos atuais.

 

Acordar para mudar o paradigma de desenvolvimento com os cadáveres que o sistema produziu é muito triste. Mas, absolutamente necessário. E neste momento as entidades empresariais têm que ter proposta de mudança  porque o que aconteceu está na conta de todos e cada um.

 

STEFAN SALEJ, consultor empresarial, foi presidente do Sistema Fiemg e Sebrae MG