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Araxá vai sediar o “XXII Congresso das Associações Comerciais e Empresariais de MG

19 de julho de 2019 – 11:16 |

De 24 e 27 de outubro no Grande Hotel do Barreiro em Araxá/MG, será realizado o  “XXII Congresso das Associações Comerciais e Empresariais de Minas Gerais.  Um dos eventos mais tradicionais desta instituição, o Congresso …

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“CULTURA MUSICAL – 1ª PARTE” “O MOVIMENTO DO CLUBE DA ESQUINA” “OS MINEIROS”

Francisco Jose Géa

“INTRODUÇÃO”

Este, sem dúvida alguma, foi um dos mais importantes movimentos musicais e culturais, que surgiu no Brasil, nos últimos anos, merecendo ser melhor pesquisado e conhecido, em virtude da contribuição e do legado, que este grupo de jovens deixaram para a história da MPB.

O pesquisador menos atento pode achar que as melhores décadas musicais, foram apenas as dos anos 60, no que está certo, mas ele também pode pensar que a década de 70, foi um “deserto” de criatividade musical e que nada aconteceu. Entretanto não existe nada mais falso do que acreditar nisto.

Realmente, o que aconteceu é que na década de 70, houve um “marketing” muito poderoso pela nefasta “discoteque” ou discoteca, que chegou e promoveu uma lavagem cerebral na juventude brasileira, levando muitos em pensar, que os anos 70 e início dos anos 80, não houve nenhuma inovação na MPB. Entretanto foi um grande engano, pois foi por volta dos anos de 1971/1972, que surgiu o movimento.

Após os maravilhosos movimentos da “BOSSA NOVA”, da “JOVEM GUARDA” e da “TROPICALIA”, surgiu em Belo Horizonte, como se fosse uma obra dos deuses, e encontro de talentosos músicos, havendo entre eles talentosos jovens, compositores, letristas, arranjadores e interpretes que vieram revolucionar a nossa música de tal maneira e algo tão grandioso, de uma maneira de como nunca se viu em lugar nenhum.

 

“O INÍCIO”

Aconteceu quando um grupo de jovens amigos, todos os músicos e letristas, todos bem idealistas, que gostavam muito de músicas, começaram a se reunir, todas as sextas-feiras, no conhecido “BAR DO BOLÃO”, que se localizava no bucólico bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte, onde começaram a desenvolver os seus talentos, suas idéias e sua “alma musical”. Este agrupamento foi uma feliz reunião de talentos, vindos de diversas escolas musicais, com jovens de diversas idades e vindos de muitas regiões do interior do Estado. Então eles, num rasgo de liberdade, puderam mostrar e criar as mais lindas melodias criando um novo estilo musical. A este momento foi dado o nome de “Clube da Esquina”, numa alusão ao Bar do Bolão. Que se localizava em uma esquina.

Não importava o nome do grupo ou do movimento, o que se importava e contava era o novo som, a originalidade e o talento que estes jovens mostraram para todo o Brasil.

 

“O CLUBE DA ESQUINA E OS PIONEIROS”

Entre uma cerveja e um tira-gosto, e entre uma conversa e uma outra conversa, foi no “Bar do Bolão”, que concretizou esta reunião de amigos-músicos, quase todos moradores do Bairro de Santa Tereza, oriundos das Ruas Eurita, Mármore, Garbo, Ramalhete ou da Praça Duque de Caxias e outras. Entretanto há de se registrar, que dentre eles haviam 2 elementos, que não eram mineiros de nascimento, apesar de que a formação musical e cultural haver sido desenvolvida em terras mineiras.Um é o conhecido “Milton Nascimento”, que nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criado na cidade de Três Pontas, tendo permanecido por lá até mudar-se para a capital, já adulto. O outro trata-se do grande compositor e letrista Ronaldo Bastos, que apenas nascera em Niterói (RJ), mas logo mudou-se com seus país para BH, onde aconteceu toda a sua trajetória.

A eles se juntarem Beto Guedes, este oriundo da cidade de Montes Claros, Tavinho Moura, Lô Borges, Marilton, Marcio, mais os músicos Toninho Horta e Luiz Alves. De Três Pontas, apareceu outro “conterrâneo” de Milton Nascimento, que era o mestre Wagner Tiso. Havia ainda o Fernando Brant, o Tavito e o Helinho Baterista. Como curiosidade é no meio destes jovens, apareceu um senhor de quase 80 anos de idade, o Sr. Godofredo Guedes, levando por seu filho, Beto Guedes, que queria e se enturmou com a meninada.

A história há de se registrar e contar que o Sr. Godofredo Guedes, deixou o legado de 4 músicas, simplesmente maravilhosas e encantadoras, que foram arranjadas por Wagner Tiso e gravadas pelo seu filho Beto Guedes, e que levam os títulos de: “NOITE SEM LUAR”, “UM SONHO”, “CANTAR”, e “CASINHA DE PALHA”.

 

“MILTON NASCIMENTO”

Talvez ele seja o nome mais conhecido desta comunidade de jovens músicos, quando durante a década de 70, tiveram a oportunidade de oferecer ao público brasileiro, algo de vanguarda e marcaria para sempre a história da MPB. Eles marcaram a sua presença, em virtude da destreza técnica em executar os seus instrumentos, aliada a uma riqueza harmônica, que marcou uma enorme diferente de tudo aquilo que já havia mostrado no país em matéria de música.

MILTON NASCIMENTO estouro cantando a melodia que levava o título de “TRAVESSIA”, em parceria com Fernando Brant e que ganhou o 2º lugar, no Festival Internacional da Canção de 1967, que foi realizado no Rio de Janeiro. Sendo que foi à partir daí que animou os seus colegas do Clube da Esquina a prosseguirem em seus ideais, surgindo uma poderosa “usina” na criação de talentos.

 

“OS MAIORES SUCESSOS DE MILTON NASCIMENTO”

O seu LP de estréia data de 1972 e levava o nome de “Clube da Esquina”, onde ele canta e toca piano, com composições de Ronaldo Bastos e Lê Borges, tendo ainda Beto Guedes e Lô Borges nas guitarras, com Toninho Horta e Luiz Alves no violão e no baixo, Rubinho na bateria, com orquestração arranjada por Wagner Tiso e conduzida por Paulo Moura. Só isto já dá a dimensão da grandeza musical deste encontro e que resultou neste ótimo disco. Outros bens lps, foram registrados por ele que foram os discos “Travessia”, “Clube da Esquina 2”, “Geração de Estudante”, Caçador de Mim” e “Minas Gerais”.

As suas melhores e mais conhecidas músicas são: “Amigo,Amiga”, “Fé Cega, Faca A    molada”, “Penta da Areia”, “Maria,Maria”, “Canção da América”, “San Vicente”, “Nos Bailes da Vida”, “Coração Civil”, “Circo Marimbondo”,”Coração de Estudante”, havendo o destaque para a gravação do grande sucesso que ele gravou que levava o título de “Calix Bento”, que foi uma feliz adaptação que o Tavinho Moura fez, com uma legra adicional tirada das Felias de Reis que acontecem no norte de Minas, transformando esta música em uma verdadeira obra-prima do cancioneiro nacional.

 

“BETO GUEDES”

Foi revelado para o grande público, por intermédio de Milton Nascimento que lançou. Apareceram por volta do ano de 1971/72, como cantor, compositor e instrumentista de grande talento. “Vem se destacando com o seu maravilhoso som, que teve forte influência de sua terra natal, Montes Claros” e de todo o Norte de Minas. A sua música é vibrante e inovadora, sendo que o seu timbre vocal tem um som metálico e inconfundível. Os seus grandes sucessos foram: “Sol de Primavera”, “Paisagem na Janela”, “No Céu com Diamantes”, “O Sal da Terra”, “Tesouro da Juventude”, “Canção do Novo Mundo”, “Vivesse, Janelas e Canelas”. “Feira Moderna”, “Findo Amor” e outras.

O seu grande momento foi quando ele levou o seu pai, a pedido do mesmo, o Sr. Godofredo Guedes, um senhor octogenário, para integrar e participar daquele grupo de jovens do “Clube da Esquina”, quando o Sr. Godofredo não fez feio, muito pelo contrário, fez um enorme sucesso já no crepúsculo de sua vida.

 

“TAVITO”

Cantor e compositor talvez sejam o mais criativo integrante do grupo. “Lançou alguns êxitos musicais, que foram: “Começo, Meio e Fim”, “Casa no Campo”, “Cowboy”, “Naquele Tempo”, e “Coração Remoçado”.

A sua obra-prima, intitula-se de “RUA RAMALHANTE”, que foi uma lindíssima homenagem para a rua onde nasceu e residia, ou seja, a Rua Ramalhete, que fica no Bairro Santa Tereza em BH. Como curiosidade é quando a capital mineira fez 100 anos, a Prefeitura organizou um Festival de Músicas, para escolher aquela música que mais parecia com BH e que tinha a “cara” da cidade. E com todos os méritos “RUA RAMALHETE”, foi a escolhida, vencendo muitas outras músicas de boa qualidade.

(FIM) da 1ª parte

Francisco José Géa