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Francelino Cardoso Júnior: Levando a vida contando boas histórias

21 de setembro de 2018 – 16:59 |

No final da semana que passou ( sexta-feira, dia 14 de setembro),  os pequenos alunos da Escola Municipal Alice Moura de Araxá, foram presenteadas com a visita do …

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Carta para Maria

Oi! Maria

Boa Tarde!

É da noite dos tempos -1967- que saio para te contar, estou relembrando os meus textos, alguns divertidos, outros sem braços, outros nem por isso contam momentos carimbados, revelam platéis do-contra, leitores repentistas sem alma para compreender ou entender as mensagens. Veja a que ouvi:

_ “Ah! Mas eu não teria coragem de escrever assim, sobre meus filhos, como você”.

Crítica ou aplauso? Deixa pra lá. Ne? Maria.

Ando por ai, observando, as mães são intuitivas, imaginosas, dizem que elas têm um sexto sentido, suas premonições, às vezes, se realizam, se andam de olhos abertos, mas fechados para o mundo, que não é de hoje! O lobo mau vive na tocaia, espreitando é-za-às-ás… os filhos caem! O chamado, viaja e dorme!

Olha, Maria, sou contra a pena da morte, tento mudar meu olhar sobre muitas coisas do dia a dia, mas, gostaria de diluir os lobos em estricnina “para o bem de todos, felicidade geral da Nação” É Dom Pedro II que me dá carona!… Troco Nação por Universo!

Divirta com o texto “Há mais”.

Olha Maria, vivo a vida, é prazeroso saber que você me acompanhou sempre.

Até breve, chego a qualquer hora.

 

Maio 1967

HÁ MAIS

Há mais amor entre nós, de dois anos pra cá. Temos mais liberdade de dizer o que guardamos no coração, embora muitas vezes assustamos com a aparente desarmonia que há entre nós.

Há mais desenvoltura, nas nossas atitudes em todos os setores da nossa vida a sós ou a dois.

Há mais realização pessoal.

Há mais conscientização do meu momento de ser mãe,

_ quando Lorena me olhava pedindo e confiando esperançosa

_ quando Isaias me chamava mansamente – mamãe – acordo assustada responsável por tudo que vai dentro daquela cabecinha loira.

_ quando Daniel, em longas conversas, planejava uma voagem ao tio Marcos no domingo e depois me diz – nós vamos, né mamãe?

_ quando Luciana promete à Dona Nice levar um bôlo bem lindo, que a senhora vai fazer. Não vai?

_ quando Leandro gasta 500 no Barreiro, 250 na matinê e a tarde quer um Bolinha para ler nos intervalos da TV … e eu daria tudo para  não destruir esse sonho de facilidade que dá aos seus olhos malandrice e inocência.

_ quando Túlio – briga … assenta … levanta … briga … assenta … levanta. Briga … assenta … levanta, e tão pouco tempo para estudar. Porque traz na sua bagagem pessoal essa inquietação e … assim é:

_ quando gostaria de deixar para depois do almoço, exatamente fazer o almoço! Ela não toma conhecimento do meu corre-corre, lembro-me, Cláudia, eu sou a mãe, você deve ser assim mesmo!

_ quando Carlos com seu 1,70m e seus 15 anos, constrói um pombal, passa horas admirando pássaros, sinto que eu deveria dar todo o milho e alpistes necessário a seus presidiários, para prolongar a infância que ainda mora na sua alma.

Encontro-me na pele de Herodes todas as vezes que tento ver adultos nas minhas crianças, massacrando-as com responsabilidades que não lhes pertence.

Proteger é arriscar-se e confiar.

A primeira parte nos pertence como outros Josés.

Quando a confiar é como ingerir um barbitúrico de concentradas substancias tranquilizantes. Lendo Mateus 2, 13-15.